Alimentação tradicional indígena do povo Akwē-Xerente na Amazônia legal brasileira e a sua relação com a longevidade
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Palavras-chave

Alimentação indígena
Akwē-Xerente
sistemas alimentares tradicionais
saúde coletiva
longevidade

Como Citar

Sampaio Baleeiro Santana, L., Da Silva Pocinho, R. F., Laurido Da Silva, S. C., & Barbosa Osório, N. (2026). Alimentação tradicional indígena do povo Akwē-Xerente na Amazônia legal brasileira e a sua relação com a longevidade. RIAGE - Revista Ibero-Americana De Gerontologia, 9, e464. https://doi.org/10.61415/riage.464

Resumo

A alimentação tradicional do povo Akwē-Xerente constitui um eixo central de organização social, cultural e de produção de saúde coletiva, historicamente baseada na relação direta com o território, no preparo comunitário dos alimentos e na transmissão intergeracional de saberes alimentares. Entretanto, nas últimas décadas, transformações territoriais, pressões econômicas e a crescente inserção de alimentos industrializados vêm reconfigurando os sistemas alimentares indígenas, reduzindo a diversidade alimentar natural e introduzindo padrões de consumo associados ao aumento de doenças crônicas e desequilíbrios metabólicos. Este estudo tem como objetivo analisar as práticas alimentares tradicionais Akwē-Xerente, com ênfase no ritual do Berarubu, e discutir as transformações contemporâneas dos sistemas alimentares indígenas e suas implicações para a saúde e a longevidade. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada na perspectiva interpretativa da pesquisa social em saúde, conforme Minayo, permitindo compreender a alimentação como prática social carregada de significados culturais. Os resultados evidenciam a coexistência desigual entre práticas tradicionais e alimentos industrializados, a fragilização da comensalidade coletiva e o avanço de padrões alimentares associados à vulnerabilização sanitária. Conclui-se que os sistemas alimentares tradicionais configuram estratégias históricas de promoção de bem-estar, coesão social e longevidade, enquanto sua erosão contribui para o surgimento de novos riscos à saúde indígena, reforçando a necessidade de valorização dos saberes alimentares ancestrais como componente central das políticas de saúde e soberania alimentar.
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