Perceção dos idosos residentes em estruturas residenciais para pessoas idosas das qualidades dos espaços exteriores
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Palavras-chave

espaços exteriores; affordances; estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI)

Como Citar

Perceção dos idosos residentes em estruturas residenciais para pessoas idosas das qualidades dos espaços exteriores. (2025). RIAGE - Revista Ibero-Americana De Gerontologia, 8(8), 758-772. https://doi.org/10.61415/riage.435

Resumo

Pessoas idosas sobretudo muito dependentes e/ou com comprometimento cognitivo tendem a viver em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas. Tendo como referencial teórico a Teoria da Perceção Ecológica de Gibson, o objetivo deste estudo foi explorar a perceção dos idosos das qualidades dos espaços exteriores das instituições em que residem e comunidade próxima, nomeadamente: (i) identificar a frequência da utilização dos espaços exteriores das instituições e/ou da comunidade próxima; (ii) compreender os facilitadores e obstáculos de acesso ao espaço exterior; (iii) identificar áreas dos espaços exteriores preferidas e significado funcional/oportunidades de ação; (iv) identificar a integração de outras possíveis qualidades nos espaços exteriores das instituições e/ou na comunidade próxima. Sete participantes foram recrutados de duas instituições, com os seguintes critérios de inclusão: residir na instituição há mais de um ano; idade entre os 75 e 84 anos; compreender e comunicar verbalmente e ser capaz de dar consentimento informado. Aos participantes aplicaram-se o Índice de Barthel e um questionário sociodemográfico e realizaram-se walking interviews, com registo fotográfico das áreas preferidas. Os principais resultados indicam que os participantes percecionavam nos espaços preferenciais diversas oportunidades de ação, designadamente estimulação sensorial, interação social, atividade física e descanso/repouso, continuidade de vivências anteriores, através da evocação de memórias e emoções significativas, e sensação de continuidade com o mundo externo. Quanto às limitações, salienta-se o reduzido número de participantes e a delimitação da idade da população-alvo. Como estudos futuros, sugere-se a entrevista aos diretores técnicos, para investigar a integração da continuidade interior-exterior no quotidiano das instituições.

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