Guia Terapêutico como intervenção de melhoria contínua na renovação do receituário crónico numa USF
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Palavras-chave

medicação crónica
adesão terapêutica
guias terapêuticos
segurança do doente

Como Citar

Guia Terapêutico como intervenção de melhoria contínua na renovação do receituário crónico numa USF. (2025). RIAGE - Revista Ibero-Americana De Gerontologia, 8(8), 733-739. https://doi.org/10.61415/riage.433

Resumo

Introdução: A renovação da medicação crónica é frequente em cuidados de saúde primários e, quando realizada sem revisão regular, pode comprometer a segurança, sobretudo em idosos polimedicados. Estes apresentam risco acrescido de interações, erros de prescrição e falhas de adesão. O guia terapêutico, extraído da Prescrição Eletrónica Médica, constitui ferramenta padronizada que apoia a decisão clínica, reduz a variabilidade, facilita a comunicação e pode promover adesão.

Objetivos: Avaliar o impacto da implementação do guia terapêutico na renovação da medicação crónica, procurando aumentar a sua utilização e reforçar a segurança da terapêutica.

Métodos: Projeto de melhoria contínua realizado numa unidade de cuidados de saúde primários entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025. Avaliou-se a proporção de utentes que apresentavam guia terapêutico no pedido de renovação. Seguiu-se intervenção junto da equipa multidisciplinar: atualização pelos médicos, sensibilização dos utentes e verificação pelo secretariado clínico. A monitorização repetiu-se trimestralmente, com recolha padronizada. As proporções foram comparadas entre a avaliação inicial e os momentos subsequentes, utilizando o teste exato de Fisher (p < 0,05).

Resultados: No âmbito deste projeto de melhoria contínua da qualidade, na avaliação inicial 1,67% dos utentes apresentaram guia terapêutico. Nos quatro trimestres seguintes, os valores oscilaram entre 1,52% e 5,75%. Globalmente, a proporção após a intervenção foi de 3,02% (10 em 331), sem diferenças estatisticamente significativas relativamente ao valor basal.

Conclusões: A utilização do guia terapêutico manteve-se reduzida. A intervenção revelou barreiras organizacionais e dificuldades, reforçando a necessidade de estratégias futuras para promover segurança e adesão em cuidados primários.

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