Resumo
Com uma população cada vez mais envelhecida, confrontada com mudanças físicas, psicológicas e sociais importantes, com o declínio das capacidades funcionais e o aumento da dependência, a principal resposta à pessoa idosa, em Portugal, passa, ainda, pela institucionalização em Lares de Idosos tradicionais. Estes são, hoje, residências de caráter sobretudo assistencial, que dão assistência a pessoas com muitos anos de vida, com várias doenças crónicas, com necessidades evidentes ao nível dos cuidados de saúde. Assim, este artigo tem como objetivos: (i) analisar, à luz da literatura recente, as principais limitações do modelo de Lar de Idosos vigente em Portugal; (ii) identificar e caracterizar os modelos de Aging in Care, Aging in Place e Aging in Community enquanto soluções residenciais alternativas; e (iii) discutir as implicações destas soluções para a prática profissional e para o desenho de políticas públicas orientadas para um envelhecimento digno, ativo e participado. A metodologia de investigação centrou-se numa revisão integrativa de âmbito exploratório. Assim, após a análise dos 13 artigos obtidos a partir das bases de dados selecionadas, verificou-se que os Lares Tradicionais não respondem adequadamente aos desafios atuais da fragilidade do idoso. Numa análise das soluções alternativas existentes, foram observados três conceitos: o Aging in Care, o Aging in Place e o Aging in Community. Concluiu-se que o Aging in Place é a solução mais desejada pela maioria da população idosa. São necessários modelos flexíveis, humanizados e adaptados à individualidade e autonomia de cada idoso, às suas necessidades biopsicossociais.
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