Envelhecer na Era Digital: Caso Clínico de Síndrome de Clérambault
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Palavras-chave

envelhecimento
erotomania
síndrome de Clérambault
psicose
tecnologias digitais

Como Citar

Envelhecer na Era Digital: Caso Clínico de Síndrome de Clérambault. (2025). RIAGE - Revista Ibero-Americana De Gerontologia, 8(8), 580-592. https://doi.org/10.61415/riage.415

Resumo

A síndrome de Clérambault ou erotomania é um subtipo raro de perturbação delirante. Relata-se um caso clínico representativo desta patologia. As informações clínicas foram obtidas por entrevistas clínicas e revisão do processo hospitalar. Trata-se de uma mulher de 65 anos, viúva, com duas filhas que viviam longe de si e que residia sozinha. Apresentava história de hipoacusia e perturbação de ajustamento por problemáticas conjugais. Consequentemente à oferta de um smartphone com acesso à internet pelas filhas, desenvolveu um delírio erotomaníaco envolvendo um jovem youtuber brasileiro, mundialmente famoso. Adicionalmente, apresentava alucinações auditivas e interpretações delirantes autorreferências, acreditando receber declarações românticas subliminares através dos seus vídeos.  Até então, necessitou de dois internamentos psiquiátricos. Inicialmente, por alteração comportamental quando confrontada pelas filhas. Posteriormente, por descompensação psicótica por incumprimento terapêutico, tendo transitado para um antipsicótico injetável de longa duração. Atualmente, apresenta sintomatologia psicótica residual, sem dinamismo ou impacto funcional significativos. A doente integrou um Centro de Dia, mas o seu plano social a longo prazo tem sido discutido. Ela reúne fatores predisponentes para erotomania: género feminino; pós-menopausa; baixo nível de literacia; hiper-religiosidade; carência afetiva; isolamento social e défices sensoriais. A encapsulação dos delírios e a preservação da funcionalidade podem dificultar o reconhecimento da erotomania. Os antipsicóticos injetáveis são vantajosos perante idosos socialmente isolados, com sintomas residuais, insight deficitário e incumprimento terapêutico. Embora promissoras no combate à solidão, as tecnologias digitais apresentam desafios psicopatológicos, especialmente em idosos predispostos a quadros psicóticos.

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