Resumo
Introdução: Os Cuidados Paliativos envolvem a pessoa e a sua família, promovendo dignidade, conforto e qualidade de vida através de uma abordagem integrada que valoriza a comunicação, o apoio emocional, social e espiritual de ambos. Objetivo: Compreender os medos e as inseguranças experienciados por cuidadores informais de pessoas em fim de vida no contexto de Cuidados Paliativos. Métodos: Realizou-se uma revisão narrativa, com pesquisa nas bases de dados: PubMed, Scopus, SciELO e Cochrane Library. Selecionados nove estudos sobre vivências de cuidadores informais em fim de vida. Resultados: Da análise realizada emergiram cinco categorias — comunicação empática e planeamento antecipado, sofrimento emocional e apoio psicológico, espiritualidade e adaptação, sobrecarga e necessidades práticas, e partilha de papéis e decisão conjunta — que dão resposta aos objetivos do estudo e representam eixos interpretativos centrais que emergem da literatura e da teoria do Cuidado Humano de Jean Watson. Discussão: A fase final da vida da pessoa é vivida pelos cuidadores informais com sofrimento emocional, ansiedade e sobrecarga. A comunicação empática e o planeamento antecipado promovem maior segurança e sentido de controlo. O apoio emocional e espiritual facilita a adaptação à perda, enquanto a partilha de decisões contribui para um cuidar mais equilibrado, aliviando o sofrimento e facilitando o processo de luto. Conclusão: Os cuidadores informais vivem a fase de fim de vida com grande vulnerabilidade, exigindo apoio emocional, espiritual e relacional. A sua integração ativa no processo de cuidados é essencial. São, contudo, necessários mais estudos que aprofundem estas necessidades e testem intervenções de suporte adequadas.
Palavras-chave: “Cuidados Paliativos”; “Cuidadores Informais”; “Medo”; “Angústia Psicológica”; “Cuidado Terminal”.
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