Resumo
O envelhecimento populacional em Portugal tem vindo a aumentar significativamente, trazendo consigo desafios ao nível da saúde física, mental e social da população idosa, especialmente em contexto institucional. Neste sentido, o presente estudo teve como objetivo desenvolver e avaliar os efeitos de um programa de intervenção psicossocial focado na saúde mental e na atividade física, junto de um grupo de idosas institucionalizadas. A intervenção procurou promover o bem-estar emocional, a funcionalidade percebida, a felicidade subjetiva e a satisfação com a vida, através da combinação de sessões de estimulação emocional, cognitiva e atividade física. Foi adotada uma metodologia mista. A componente quantitativa baseou-se na aplicação de escalas validadas para avaliar cognição, funcionalidade corporal percebida, bem-estar psicológico, felicidade subjetiva e sintomatologia depressiva e ansiosa. A componente qualitativa consistiu na realização de uma entrevista em grupo focal. Participaram no estudo 14 idosas residentes em instituição, divididas em grupo de intervenção (n = 7) e grupo de controlo (n = 7). Os resultados quantitativos não revelaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. Contudo, observaram-se tendências favoráveis no grupo de intervenção, nomeadamente ao nível da perceção da funcionalidade corporal e da estabilização da sintomatologia depressiva e ansiosa. A análise qualitativa revelou efeitos emocionais e relacionais positivos: as participantes expressaram satisfação com as sessões, relataram maior autoconhecimento, partilha emocional e fortalecimento de vínculos interpessoais, evidenciando o impacto subjetivo e terapêutico da intervenção. Conclui-se que a combinação entre atividade física e estimulação emocional e cognitiva constitui uma abordagem promissora na promoção do bem-estar global em idosas institucionalizadas.
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